18/08/10

*1

Eis a transitoriedade e o arbítrio dos afectos humanos. É-se pequeno, gracioso, saudável e elegante e temos o mundo rendido, especialmente o dos jovens casais, para quem o futuro é uma ideia abstracta e despicienda. Cresce-se, avantaja-se, escurece-se, deslassa-se, amoelece-se e já nos olham de lado, com impaciência ou indiferença, porque o passado é um lastro. É destas incomodidades metafísicas que se tem feito a literatura e são amarguras deste género o verdadeiro portal para a transcendência.
Mário de Cravalho, A Arte de Morrer Longe
*