Otariamente Falando

Por vezes acho que estou talhado a ser o que não sou para fazer o que não faço. Pensamento anti-natura, obviamente que deveria estar cá nesta vida para ser aquilo que sou e fazer aquilo que é feito, partindo do princípio que actuo segundo os meus gostos e convicções. Estarei envolto numa série de trabalhos se, pois então, sonhar em ser o oposto de mim, que, seria, começar uma vida nova nesta vida e refazer-me. Comparativamente, ver a Julia Roberts a representar uma chefa de uma agência funerária ou o Adam Sandler a representar um homem de negócios de sucesso, obviamente que isso é totalmente descabido e surreal, e que ambos estes actores de tudo farão para cair na monotonia do ecrã actuando como simples e felizes jovens ao passar dos anos que se lhe enrugam as peles caídas e os colocam o rótulo de patetas.

Transparência - Desafio Fábrica de Letras

A Transparência é quando olho para ti e vejo que és bonita por dentro apesar de teres bigode.
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|para Fábrica de Letras e Palavras| 

Otarializa-me!

Raios te partam tempo que não sabes se choves ou não!



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Pareces eu nos meus dias em que sou uma completa ajuizada estimativa dos padrões da vida e reflicto: Ai, amanhã faço isto e aquilo e vou mudar completamente a minha vida porque sou capaz! -mas depois sento-me na realidade e mando tudo para as urtigas. Estou ali eu, com um raio de sol, e depois relâmpago-me todo. Nem dá para secar os sentimentos molhados da minha alma.

The Pacific Age

A vida... bem... o que posso dizer dela?
Sendo um pessimista nato, acho-a vulgar. Mas isso sou eu,
que me aborreço com o mínimo esplendor de um sorriso alheio
após uma reflexão individual da ocorrência... deviam prender
tipos como eu, que desprezam esta vulgaridade monotonamente
repetitiva da ocasião de se estar vivo, uma PIDE do sentimentalismo
de base, que é como quem diz, vais ali para o Tarrafal para
aprenderes a apreciar um momento com uma moça roliça 
em vez de ó depois andares a divagar que, apesar de 
tudo, tanto faz e que a vida é toda assim, nasce-se 
vive-se e morre-se e lá no meio é tudo igual, seu 
desagradável mundano inconsciente!
...e lá ia eu levar umas pauladas na cabeça e 
saia de lá fino. A cambalear, mas fino.
Mas quem sou eu para ter o descabimento de me queixar,
e quem raios se interessará sobre a vida desta pobre pessoa,
a não ser ela mesma, com o seu amor impróprio e auto-estima
variavelmente deambulante? Pois, senão mais, você, que me 
deixará um comentário deveras enriquecedor para a continuação
da minha existência que, porventura, para a semana não me recordarei,
trocando por miúdos, me entrará num ouvido e sairá pelo outro, ou,
mais propriamente, e tratando-se de uma mensagem escrita posteriormente
lida, entrará nos meus glóbulos oculares e sairá do ponto receptor alojado 
no meu cérebro e que deve ter um nome todo estranho de que nunca 
ouvi falar e que só a classe médica mostrará interesse em tomar conhecimento.

Andas a fumar charros de incompreensibilidade, caro João Carlos?

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Estava o rabo da minha pessoa directamente apoiado numa das cadeiras que dão azo à sala de aula da Faculdade, e denoto que a velhice da professora a faz iniciar a sua divagação habitual sobre a vida e o estado do país, temas não expressamente mencionados no programa da disciplina que lecciona. São 15H22, a aula termina às 16H00, tenho um papel para entregar aos Serviços Sociais que encerram às 15H30, se sair daqui a passo largo sou bem capaz de lá chegar no fechar de portas e atendem-me em coisa de 3 minutos e evito filas. Saio da aula, a meio do caminho já ofegante, Deus queira que valha a pena, será de todo incomodativo chegar lá acima e dar com as portas fechadas, ora não entrego o papel ora não assisto à aula. Chego, 3 minutos, 'tá entregue, 1 Bem Haja! à senhora do balcão que parece boa moça, já que estou aqui aproveito e vou fazer um xixizinho. Faço xixi, sacudo o dito, puxo os boxers e as calças num movimento regularmente normal, aperto o cinto para não caírem, vou lavar as mãos, opá não há sabão! Ora então, neste momento, tenho eu 1 nico de sabonete líquido na mão direita que nem dá para limpar o dedo mindinho, o que faço para me lavar? Fecho a mão, saio dos Serviços, e, ao invés de ir directo ao Metro que é já ali e ir para casa, tenho de ir de novo à Faculdade que é lá ao fundo, para limpar esta já nojice da pequena nhanha de sabonete que já começa a formar espuma nesta minha mão cerrada e quente. Chego à Faculdade, dirijo-me propositadamente ao WC, lavo as mãos, enxaguo-as, e vou-me embora todo contente; para o Metro, que é já ali perto dos Serviços Sociais, mas, como estou na Faculdade, é ali ao fundo novamente. E a partir daí tudo correu normalmente, e foi assim o meu dia.

Ceci n'est pas un post

Olá,

 pessoa cujos olhos se inclinam para este conjunto de letras que formam aquela coisa a que Eugénio de Andrade se referia como 'um punhal, outras orvalho apenas', e que se chamam palavras. Tenho a dizer que não tenho rigorosamente nada a dizer, excepto o que possivelmente surgirá seguidamente ao ponto final deste presente período. Originalmente, possuía um tópico recente de discussão que, porventura, perdi o interesse em utilizar e que, por esse eventual motivo, e tomando em consideração a minha servidão face a mim, não o farei, por assim ser minha vontade. Seja, então, feita a sua vontade, tanto na Terra como no Céu, Glória a Deus, nosso pai, amén! Perdoai-me, meu senhor, por sofrer de paralisia ateísta e não crer em vós, ide pó caralhoviski, à'merde!
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Não me contento com absoluta e rigorosamente nada.
Sou uma espécie daqueles gatos sem pêlo, em que as pessoas se aproximam e pensam ahg, tá bem, nã tem pêlo, menos um defeito que o bicho pesa. Se eu me visse na rua iria possivelmente falar mal de mim nas minhas costas, Quero eu dizer, abre parênteses, se eu me cruzasse com outro alguém deveras semelhante a mim, iria falar mal dele atrás dele, sem segundas interpretações e salvo seja, fecha parênteses e continuando.
 

Os bebés fazem cócó e xixi na cueca e são apelidados de criaturas fofinhas, onde haja um
carrinho de criança no jardim, há sempre uma velha ao lado; a fazer caretas estúpidas,
 cutchie cutchie coiso e tal, e depois a falar do filho da filha, o neto da avô que é ela, a
dizer que ele é mais grande, só para se mostrar superior à
senhora jovem mãe que só procurava sossego num cantito de jardim para espairecer
um bocado e que agora se vê entalada numa conversa vulgar com uma velha que não
conhece e que, ainda por cima, e por baixo e por todo o lado, diz mais grande,
em vez de dizer maior. Mas as velhas são criaturas de Deus e também elas fazem cócó
na fralda. Aí fica o elo de ligação. Por mais que cheire bem, a vida é sempre uma merda.
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Feijoada de Nestum

Estava a pensar seriamente em pensar seriamente.
É algo que faço muito bem, planear as coisas...

Sempre que eu vejo aquelas imagens da PETA e o camandro, das sessões fotográficas a favor das vaquinhas e dos macaquitos e dos animais todos em geral, recordo-me sempre dos crentes na reencarnação e vem-me à memória o pensamento desses sujeitos, que decerto deverá ser algo relativamente mais ou menos parecido a 'Ena, c'a moça mais roliça esta... Deus queira que eu reencarne num felino fofinho abandonado à beira da estrada para sensibilizar as pessoas todas e aparecer num forrobodó de eslovacas despidas!'

Não seria para menos, ver um Fernando-Mendes-Coelho-obeso-mórbido embrulhado numa modelo-semi-anorético-bulímica, pensando, ah, menos mal, vais vale ficar com os ossos que nada, esta vida é muito melhor de quando fazia peças de teatro em que representava gordos porque não me davam mais nenhum papel... seria um autêntico pilar no aumento da taxa de mortalidade  no mundo, pelo menos, ao que aos sujeitos masculinos heterossexualmente saudáveis compete.

The Collector of Hearts

Ando muito afectado por aquela cigana que armou
tenda à minha beira e foi vender relógios a 2€ do outro
lado do rio. Mal sabia ela que o tempo é um moralismo falso. Uma invenção
do Homem. E que, por cada segundo que passa, é menos um grãozinho de
areia na destinação do seu adorado Deus. E por isso te pergunto, preta,
quando as portas te fecharem, e as janelas magicarem tijolos na
ausência do teu sopro, a quem pedirás ajuda. Àquele superior que
te vê parir a alma, ou àqueles cujos da terra dos quais te desaproximas...

Nem sabes matar-te porra!!!

Não é recente, mas dá para captar o nível de
cumplicidade que tenho com a minha irmã... (clicar na imagem)

Et Otariuns Uno

Estou sempre à espera que me dêem um chuto no rabo,
porque nem da vida estou eu atento.
E isso merece um chumbo qualquer, se Deus
realmente existe, fará com que eu morra cedo.
Ele que vá p'ró Diabo! Cá está...
... a minha desatenção ao senhor divino que bem me pode
fazer ter um ataque cardíaco perto de uma sarjeta.
Que seja, isso são balelas. Existirão razões logicamente
racionais para o meu coração parar de bater. Eu meto
o dedo no ar no cu do Senhor e ele já chumbou no
meu teste de seriedade: ele gosta.
Há motivos para eu ter fé num
panisgas que se esconde?