フェリズナタール (Feliz Natal Porra!)


Sabe, o caro leitor, que dispensa do seu precioso tempo natalício, a fim de se encontrar a par de novidades recentes neste recanto quando, bem poderia, neste preciso momento, estar comendo umas castanhas ou, porventura, quem sabe, bebendo um licor junto de uma lareira aquecida, nesta altura em que, provavelmente, goza de uns escassos dias em casa, por ser esta, então pois, uma altura propícia para tirar umas férias e estar ao lado da família, sabe, o caro leitor, que dispensa do seu precioso tempo natalício, o que pensa esta espécime rara, que sou eu, de Mariah Carey? E aí se resume todo o meu demais espírito natalício.


Porém, contudo, todavia, portanto, logo, pois, como, mas, e, embora, porque, entretanto, nem, quando, 
ora, que, porém, todavia, quer, contudo, seja, conforme, à medida que, apesar de, e a fim de que, Feliz Natal, exclusivamente para todos os ceguitos, com uma especial dedicatória aos pequenos ceguitos, coitaditos, que, para além de não conseguirem ler estas palavras de bom agrado meu, não podem ver toda a atenção que se lhes é dada neste período, às criancinhas em geral, não fosse este um período do ano dedicado aos pequerruchos fofinhos, consumismo e sal e gorduras em excesso, nosso Senhor Jesus Cristo amén, purpurinas e confettis, uma preocupação que me acompanha desde o início do meu mandato eu chamei a atenção dos políticos portugueses para as desigualdades sociais para a pobreza e para a exclusão 
e lancei o roteiro da inclusão social manham manham bolo rei.
* 
|imagem Centro Comercial Parque|

E a vida é um frete de crianças birrentas

Estou para aqui a pensar na perplexidade das coisas, talvez usufruindo de mau grado o uso livre de meu tempo, que é, uma pessoa passa um período inicial da vida a construir um caminho, partilhando-o com outros prazeres secundários, e chega a uma idade em que a puta da consciência reclama o terreno! Esta pessoa então, outrora erradamente consciente de que o processo de acabamento da estrada ainda ia a moldes, quando já havia quem lhe construísse uma ponte por cima! U know what i mean? Que não damos valor às coisas até que elas se encontrem efectivamente terminadas. Nessa altura, a pessoa olha para trás e sussurra, como que para não ser ouvida por sábias aves de rapina, e testada pelo sentimento pessoal da vergonha que a pressiona: foda-se, podia ter feito melhor... . E nessa altura já a estrada 'tá atulhada de pássaros mortos estúpidos que se metem nos cabos de alta tensão e é nossa a merda que temos de limpar. Aqui eu pergunto, porque não se criam, antes, passeios, e se não fica na simplicidade das coisas... Comprendre? Comprends pas?
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So Sexy It Hurts ♫


No frio eu fico mais bonito porque o castanho das minhas roupas de Inverno faz Pandan com os meus olhos.

E o Vasco tem o Esfíncter esmagado

E o Vasco tem as orelhas a arder, porque, a generalidade das pessoas,
curte ir de Bus pitar ao Mac. A generalidade das pessoas já não vai ao
MacDonalds do Centro Vasco da Gama comer, não, que ideia, mas,
isso sim, pitar ao Vasco. E se o Vasco fosse lá perto da malta, a
malta ia a penantes, já não necessitava de gastar guito na chanet
para ir ao Senhor Vasco. Quem ouve os adolescentes a combinar
o almoço, sem se encontrar a par deste sentido de originalidade falante,
decerto deverá pensar, e não censuro, que o Senhor Vasco já não
sofre de hemorroidal. O Senhor Vasco já tem o esfíncter esmagado.
Até o Vasco vai ao Vasco, o que é muito egocêntrico.
*

Um sítio / Para Fábrica de Letras

O desafio deste mês, da Fábrica de Letras, centra-se na demarcação de um objecto que guardamos religiosamente, alguém que amamos pelas mais variadas razões, um local que nunca esquecemos, seja numa viagem ou na infância, ou um acontecimento específico que nos tenha marcado. O Otário escolheu a 3ª temática. 

Este é o corredor da designada Rua Sésamo, local destinado à compra de edições Tv Guia Editora, onde, na minha criancice, minha mãe gastava as suas posses monetárias, a fim de me adquirir as mais recentes obras do Poupas, do Ferrão, do Gualter e companhia.Em frente, havia acesso ao parque da cidade, onde, eu, guardo a recordação de meu rabo queimado na chapa do escorrega, num dia imenso de calor; estima-se, e resguarda-se para a posterioridade, a história da minha choradeira derivada, só possível de comprovar pelo testemunho de meu pai como única presença familiar na ocasião. A lado do parque, recorde-se o campo de futebol onde eu brinquei pela antiga escola Básica. Tal corredor, outrora repleto de gente, daria entrada às demais lojas variadas, das quais me relembro, a qual me já referi, a da senhora das costuras onde minha mãe me comprava meias e cuecas, a da senhora do pão onde minha mãe me comprava Bollycaos, a do casal velhinho que me oferecia rebuçados e onde minha mãe me comprava amêndoas, a do café matutino com a companhia de Dona de Putchie onde minha mãe me comprava um Mil-Folhas, a da senhora simpática vendedora de bugigangas onde minha mãe me comprava livros de histórias infantis, a da loja de berlindes onde minha mãe me comprava berlindes. Hoje, o corredor mantêm-se, porém, não há mais senhora da Rua Sésamo, nem senhora das costuras, nem senhora do pão, nem casal velhinho, nem café matutino, nem senhora simpática, nem loja de berlindes; já não gosto de usar cuecas, já não gosto de comer Bollycaos, já não aprecio rebuçados, já cá não reside a Dona de Putchie, já não leio histórias infantis, já não sei jogar ao berlinde. O parque já não tem o escorrega, o campo já tem balizas. As lojas deram lugar a escritórios, os cafés deram lugar a escritórios. Resta somente este corredor, para me relembrar, que, antigamente, aqui existiu movimento, e era aqui o centro de tudo.

|The Specials - Ghost Town| *

Tens um Cu debaixo das Costas

Quando não tenho nada de fazer sento-me de frente à janela do meu quarto a mirar as pessoas nas varandas aqui de frente que me miram ao mirá-las, e as nossas vidas ficam ligadas por minutos; e eu olho pensando alto lá, aquele não estará a olhar para mim? e a outra pessoa mostra uma cara como se pensasse alto lá, aquele não estará a olhar para mim? e ambos sabemos que sim, mas ocupamos o nosso tempo a olhar-mo-nos para realmente remover a dúvida de que estamos a ser olhados. E a pessoa que passa pela rua e olha para nós a olhar uns para os outros fica com uma cara como que a pensar alto lá, aqueles não estarão a olhar para mim?. Não, não estamos senhora, você é que se colocou de frente à nossa perspectiva. E, de facto, você é bastante vaidosa, não será mesmo?

Aquele gajo é uma bosta de cavalo recalcada

Seu grandessíssimo monte de esterco! 
Seu pote de acumulação do pó da cremada velha feia e má que violou
a filha e matou o marido e depois enforcou-se  numa loja de conveniência
só naquela de dar um mau aspecto ao estabelecimento do pobre Zé que
mesmo depois de reformado tem de procurar ganhar algum para sustentar
a pobre da família que joga 2€ semanais no Euromilhões e nunca acerta em nada!
Sua poia malcheirosa dum rafeiro danado cagalhoso íman de melgas fedorentas!
Seu Descartes de meia-tigela homossexual homofóbico! Seu imbecil 
filho de uma mãe folgadeira de sábados à noite no 
Parque Eduardo VII! Seu Eduardo Bettencourt dos Monólogos 
da Vagina! Sua peste do séc. XXI HN1 da mediocridade 
reciprocamente cobarde! Seu fumador gordo de merda feio parvalhão!
Seu Don Ruan dos encontros internáuticos! Sua ave rara bicuda
mal-agradecida! Seu possuidor de dupla personalidade repleta 
de droga para mais de 4! Seu violador da boa-educação idiota
estúpido! Seu saudosista hitleriano anti-semita racisto-comunista 
fascista nitzschiano! Seu pombo coxo piolhoso da estação de
Entrecampos! Seu portador do Diabo pénis pequeno cornudo!
Sua aberração estereotipada falsa mentirosa palerma acanhado 
neto de um tio fanhoso por meios anti-naturais! Seu bicho do
mato sem mato para se esconder! Seu julgador de costas
repelente de mosquitos que arde! Sua dose de nestum já
duro que se come com um nó no estômago só porque é
caro e fica-se mal deitar dinheiro ao lixo! Seu serial-killer 
da frontalidade preferes atrás! Seu mal cheiroso insecticida 
da eticidade! Seu cu de Judas que pariu um rato!
Sua travesti abortada hermafrodita! Sua 
Cinderela dos testículos supostos! Seu bife mal passado
ensopado de sangue! Seu pedófilo das paciências alheias!
*
Pá... adoro-te!

Queres torradas de pão, Luís?

As velhas fazem de mim uma temporada perdida. É um facto quando me vêem depois de tanto tempo sem me verem. 'Ah 'tá tão crescido' 'Ah já tem barba e tudo 'tá um homem AhAh a última vez que o vi era deste tamanho ahhh!'. Já para não falar quando me surgem com a conversa que tenho os olhos da minha mãe. Os olhos são meus porra! Os olhos são meus! Para além de ser um caso perdido, há que ver que, primeiro, sou uma temporada perdida. Mas uma temporada de renome, porque muita gente quer saber os pormenores dos episódios perdidos. Gente que prefere ler a TvGuia em vez de acompanhar as novelas, gente que prefere não me acompanhar no percurso que faço, e saber os pormenores pela coscuvilhice. Eu sou uma série sem magia e sem talento, mas que, mesmo assim, vai cativando, aos poucos e poucos, por passar em horário nobre. Eu, sou, sem sombra de dúvida, uma temporada perdida. *

Eu Saw vi, e tu?

Aterrador! Perturbador! Inquietante! Tocante! Magnífico! Esplêndido! Exuberante! Bom! Adjectivante!

Elas ao meu lado ah, que horror! e eu AHAHAH!; elas isto é horrível! e eu que giro, como será que eles fazem aqueles bonecos a mexerem-se na carnificina?; elas oh meu Deus! e eu Hum, que pipocas tão boas...

Fiquei fã da tecnologia 3D. É certo que não passa somente de um engano do cérebro, e não o considero um sucesso do séc. XXI. Contudo, cá estou eu para a defender.E tu?

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|ilustração Daniela Tevez|

Divagações 4: Rabanada de vento com Peanut Butter

Seus pi pi do pi, mereciam ser pi com pi lubrificante em cima da mesa da cozinha! Parece que se reuniram todos à volta de uma mesa a tomar café e disseram 'Ah! Vamos tramar este gajo!'. Se virem o meu nome na TV, sim, fui eu o criminoso. Ah não sabem o meu nome... too bad. Estou mesma naquela de estar ali a pensar nisto. Já não basta 1 pessoa viver neste mundo globalizado, parece um rato de laboratório do sistema capitalista, não há nem sequer 1 nico do globo que não tenha sido remexido pelo Homem, seria o mais, estragámos tudo somos reféns do nosso próprio império homem racional rei dos animais qual quê o único animal que põe fim à sua própria vida onde já se viu um veado a enforcar-se deve ser deve sociedade hierarquizada mas tirando o dinheiro é tudo a mesma laia não são os coelhos que fumam e esses nem pensam veja-se lá a inteligência. O que mais me estranha nas pessoas é elas me parecerem tão diferentes de mim. Acontece-me em certas circunstâncias de conversa, julgar o meu próximo e pensar: 'Ena pá, este sujeito é-me deveras interessante. Deve ter uma vida experimentalmente satisfatória em sensações!'. Por outro lado, talvez os outros pensem o mesmo de mim, e eu chego a casa e vou ver o Doraemon, tipo... nem tudo o que parece é. A menos que seja o verbo Ser, esse é 2 vezes, uma porque é, outra porque é, é um algo e é o ser. Por aí, acho eu. Não há cá entrar em confrontos como o ser e dizer: 'AH seu panisgas de um raio TU NÃO ÉS NADA sabias! TU NÃO ÉS NADA!', porque obviamente que ele é alguma coisa e não há dúvidas disso. Agora que penso nisso reforço a minha capacidade de noção de inteligência. Estou bastante contente comigo mesmo, quase saltava de alegria se não fosse aquele sucinto pormenor de não me apetecer. Não há nada a fazer em relação a isso, não me apetece e pronto, culpemos a sociedade. Não sei porquê mas culpemos a sociedade, essa que me rodeia rotativamente numa rotina de rotas redondas porque o mundo é uma bola. Culpemos a sociedade, por um motivo inventado agora neste momento: a sociedade é... é social, hum, e as coisas sociais têm tendência a generalizar, e isso faz entrar uma crise de valores recriada, pela janela da cozinha de uma pessoa, que está a comer 1 pão com Peanut Butter e sente um arrepio pela espinha acima devido à rabanada de vento e raciocina: 'Meu Deus! Eu sou 1 pessoa igual às outras! Como é que isto foi acontecer? Agarrei numa fatia de pão e, de repente, pressenti que é totalmente isto que as pessoas fazem: comer! Como pude ser tão casmurro para perder a minha identidade Meu Deus...!'. É mais ou menos por aí, geração Morangos Com Açúcar que ouve a mesma mesma música de caca que todos os outros que vêem Morangos Com Açúcar e ouvem música de caca! Sim, isto é para vocês, seus desperdiçadores de tempo perdido! Porque há gente que deveria ir para os países árabes, esse clã Carreira, ia para lá onde dão um tiro a quem canta. São esses e aquelas personagens que uma pessoa do sexo masculino, digamos, eu, olha, e mira, e volta a olhar, e reflecte: 'Ena pá, que bela saliência lateral, era bem capaz de fazer um test-drive naquilo.' Depois olha melhor e repara que aquilo nem é tanto o que parece, vai mais de perto e é 1 tipo. E a pessoa do sexo masculino, digamos, eu, diz Hug... c'a nojo! E fica com aquela imagem desagradável captada pela retina durante uma semana. Coisas, enfim. O que se há-de fazer... são situações que uma pessoa não pode enveredar, digamos,, como aqueles fumadores que abomino, que vai uma pessoa descer as escadas da Estação de Comboio e leva com o bafo do gajo que vai à frente, só apetece gritar: 'Ó SEU ATRASADO DE MERDA, SERÁ QUE NÃO PODIAS ACENDER O CIGARRO LÁ FORA SEU FILHO DA MÃE? É NECESSÁRIO PREJUDICARES A MINHA SAÚDE Ó ATRASADO?'. Há gente que não tem noção nenhuma sinceramente... o senhor administrador cá do Prédio mora no andar de baixo perto da porta de saída e, mesmo assim, acende o cigarro dentro do prédio é 1 cheiro que não se pode. Isso deixa-me triste e frustrado e uma coisa é certa; eu nunca fumei, porém, se me surgirem no Futuro problemas associados, eu juro que pego numa caçadeira e não morro sozinho. Isso é uma coisa certa que podem apontar seus fumadores inconscientes. Isso tira-me do sério não ter controle na minha vida, depender dos outros todos pá, só estradas e estradas já ninguém anda a pé, e quem anda 'tá tramado já ninguém quer saber dos peões é xeque-mate em todo o lado até nas passadeiras é 1 vergonhas 1 pessoa não encontra segurança em lado nenhum. É a história mais vergonhosa da História das histórias vergonhosas! É uma vergonha este mundo pá! É que depois uma pessoa tem isto do raciocínio e compreensão, mas nem de mim próprio assumo razão ou compreendo... sei lá o que sou, quem sou, para onde vou, e tu és mais do que eu te invento, tu és um mundo com mundos por dentro e temos tanto para contar, vem esta noite fomos tão longe a vida toda, tu és um anjo que demora porque amanhã é sempre tarde demais; Sei de cor cada traço do teu rosto do teu olhar cada sombra da tua voz e cada silêncio que tu faças meu amor sei-te de cor sei por que becos te escondes sei ao pormenor o teu melhor e pior sei de ti mais do que queria e numa palavra diria amor sei-te de cor; Dois corações sozinhos a dor juntou dois corações perdidos sem ter ninguém bastou um só carinho e tudo mudou entre nós começou mal e acabou bem. Medleys desta minha cabeça. É tudo tipo Leandro, 'amor vem', 'amor volta', 'amor não me deixes', 'amor amo-te', entenda-se lá a solidão do rapaz coitado que ninguém o quer Baby Baby Oh When U Smile e tal franjinha bonita cérebro congelado. Aquilo nem com um picador de gelo lá vai tem de ser à estalada eu cá acho que quando ele pinocar e tiver noção das letras que cantarolou ainda se suicida para aí num beco. É de uma pessoa perder a cabeça. Literalmente.

|Vídeo: Cee Lo Green/Gnals Barkley - Fuck You|