E criminosos também têm sentimentos

A minha infância deu-se quando eu era pequeno. Recordo-me
que, nesse ponto, sempre fui muito específico: queria ser um
pequeno infantil. Esse meu sonho, aliás, concretizado pelo meu
meio metro e meio de altura nos meus nove anos de idade, não 
serviu para distanciar uma namorada de um então colega meu, 
que me confundia com este pela semelhança das faces, apesar 
de existir uma nítida diferença de vinte centímetros entre nós.
*
sempre suspeitei que esse amor
entre os dois nunca duraria muito tempo e mais tarde vim a saber
que eles não se falavam. E depois descobri a infortuna causa do
ocorrido que, afinal, nunca tinham sequer namorado, e somente
o facto do meu colega carregar um fardo cinzento naquela, sim,
amizade colorida, fez com que a união caísse numa turbulência
com períodos de chuva. Tal situação também me afectou, sendo 
que nunca, desde aí, cheguei a ser confundido por alguém que
tivesse mais vinte centímetros do que eu. E essa sensação de
infortúnio egocêntrico da minha parte, afastou de igual modo
aquele sentimento de superioridade que me prendia num bom
reduzido espaço de tempo. É agradável quando me confundem
com alguém maior do que eu. Faz-me esquecer que tenho as pernas curtas

suicide letter

Cerro os olhos porque não quero ver. Tenho medo........porque tudo é igual. Eles são iguais. As palavras são
iguais. E os gestos são iguais. E sei, no fundo de mim,.... que talvez chore, que talvez alguém peça desculpa.
Que alguém num curto período de tempo esboçará.........um sorriso. Um sorriso com uma sombra de intriga,
uma emoção falsa. E sei que vou pressentir essa............ .falsidade. E vou calar-me também. Porque os bons
momentos são poucos. São poucos. Bons. Falsos..... Os mesmos. Igual. Anos, meses, semanas, dias. Horas, minutos, segundos, agora. E, enquanto saio........          para fugir, tenho pensamentos. E, enquanto regresso, quero sair. E tenho pensamentos. E todos............................eles me dizem que há veneno neste copo.

O Católico que só violava freiras

A verdade é que só ajo de cabeça quente quando uso carapuço. Não sou muito temperamental. Mas quando certas pessoas vêem meter conversa comigo só me apetece cortá-las aos bocados, dá-las de comer aos cães, depois cortar os cães aos bocados e dá-los de comer aos peixes, fazer sushi com os peixes e depois cortar os chineses japoneses ou coreanos que comeram o sushi, dar esses bocados de chineses japoneses ou coreanos aos cães, cortar os cães aos bocados e dá-los de comer aos peixes, queimar os peixes, mandar as cinzas pró mar, queimar o mar e o sushi e os peixes e mandar as cinzas do mar para o espaço. E matar-mo-nos todos para acabar com o espaço, enforcar as estrelas e fazer cócó na Via Láctea, e depois comer esse cócó e matar-mo-nos outra vez.
É o que essas pessoas mereciam era isso.

És muuuuuuuuuuito corno, diz a vaca ao boi

João Alberto, esperto, foi à mercearia comprar maças e de lá saiu só com tormentos. O coração de um homem peca por defeito, mas não há garantia nem talão a reclamar no balcão os desgostos de amor. 

Já desconfiava Alberto haver gato ali na mercearia, mas como a fruta não aparentava ser comida por felino algum, julgou ser o bichano de pior espécie. E então, quando apanhou o padeiro no meio da fruta, logo lhe afigurou salada ao pensamento. O padeiro no meio da fruta, pensou, cá para mim ele amassa é a minha mulher. De facto, descobrir um padeiro numa mercearia com tamanha regularidade é facto para logo cheirar a açorda para João Alberto. Quanto mais, quando a maçã mais reluzente é a senhora mulher de João Alberto, que atende os fregueses noite e dia sem cessar. A amassar a minha mulher, deambulava João Alberto, ele que espere uns belos de uns papos secos com duas pêras na fronha ai não.
Passava noite e passava dia, e não descansava Alberto. Esperto, preparou as trincheiras e partiu para a guerra de vigiar a sua mulher, alarmado de a senhora estar comendo mais banana do que supostamente devia. Não que tal fizesse mal ao estômago da pobre coitada, mas que mexia nas entranhas de Alberto era por demais evidente. Até que chegou o dia em que Alberto, esperto, foi comprar pão, com a finalidade de se colar ao padeiro, tal queijo se cola à côdea e o complementa. Fez-se um irmão para o padeiro, desconhecendo ser aquele o marido da senhora, e ouvia a senhora boas-novas do estreante amigo do padeiro, desconhecendo ser esse o seu marido. Agora é que vou entornar o caldo, magicava Alberto. E se a coisa se pensar bem, ensopar bocados de pão em sopa encharcada, menos bom será se ela conter veneno. E João Alberto, esperto, ouvia as melhores da namorada do senhor do pão, sem esse demais suspeitar que se estaria expondo ao seu arqui-rival. 
Após copos de exposição em bares de almas condenadas, João Alberto, esperto, bem que teria vontade em cortar sua mulher às fatias. Mas melhor pensou ser esse um negócio que ao homem do pão compete, e somente acalmou o corpo e chegou à sua esposa e disse assim: Mulher! Posso ser boi mas não sou estúpido, pois descobri que o teu negócio é outro e que eu não sou o único a comer o pão desta casa. E em acto tresloucado lhe colocou a hipótese, ou eu ou o senhor das belinhas. A senhora escolheu o padeiro. Passado um mês, o padeiro teve um ataque cardíaco e morreu. A senhora quis voltar para o marido mas este não a deixou. É o que dá em não conhecer o historial médico dos amantes.

Ambrósio, apetecia-me algo... (ou E Era 1 Vez 1 Clube Chamado Sporting)

A verdade, é que não se aprende nada comigo e eu não aprendo nada com ninguém.
Não se aprende nada comigo porque eu não tenho nada para ensinar.
Não aprendo nada com ninguém porque tenho dificuldades em assimilar conhecimentos.
Sou um desinteressado desinteressante. E não encontro grande interesse nisso.
O momento mais alto da minha vida não sei qual foi, mas consigo chegar à
prateleira de cima para tirar o mel para o meu chá, e isso deixa-me feliz
num espaço de 3 a 6 segundos. São 30 segundos de felicidade se beber
chá a semana toda. Se calhar um mês em que o chá esteja em promoção,
são cerca de 2 minutos de satisfação, o que, reparando bem, nem equivale
a metade do tempo em que evacuo e lavo as mãos tranquilamente.
*
De modos que, analisando a minha situação, a coisa não anda bem.
O chá é bom, sim, mas ninguém bebe a minha vida. Então, das duas
uma: ou sou demasiado insosso e não valho o esforço, ou sou um doce
viral de diabetes. Se for demasiado insosso, é uma questão de ser
acompanhado com umas bolachas Maria. Se for um doce viral de
diabetes, pá, cortas nos chocolates. O que conta aqui é a minha felicidade.

Se os peidos fossem racistas os pretos seriam mais asseados

4 pessoas n1 casa. 1 desaparece. A porta da casa-de-banho está fechada. Quem estará na casa-de-banho? Será que é a pessoa que desapareceu? Será? Vamos perguntar, toc* toc* está aí alguém? grr sim, estou eu porra! Queres saber o que estou a fazer queres? Cócó! Hoje é cócó! Não vês que eu sou a única pessoa que falta na casa, tens de vir intrometer nos meus assuntos digestivos?
A primeira coisa que faço antes de entrar numa casa-de-banho
pública é colocar o telemóvel no silêncio. Não suporto a
possibilidade dele eventualmente começar a tocar no
momento em que limpo o rabo, e ter de o
desligar com as minha mãos porcas.

Frederico, um homem bonito

Hoje Frederico acordou com um sorriso nos lábios e com as mãos e o coração quentes, sinal de que os opostos se atraem e que o cupido também tem os seus enganos, tanto que Frederico andava em maré de sorte no jogo e aparentava razões que a própria razão desconhece no amor; martírio de saber, efectivamente, que a sorte não toca a todos e que deus só dá as nozes a quem dentes os tem. Era então um maravilhoso dia para o Frederico, que se levantou com os pés assentes na Terra, com a cabeça assente no pescoço e com as ideias no sítio, e não fosse dormir ele nu com o porte atlético que deliciava as donzelas da redondeza, e ironicamente dizer-se-ia que tinha também as calças na mão, coisa que evidentemente aconteceu porque já foi escrita. Acordou Frederico no seu despertar matinal, com uma agenda prazerosa de práticas futuras, calçou as pantufas trauteando ladainhas do arco-da-velha, vestiu-se e perfumou-se,
perante a áurea de satisfação que o contemplava, e regozijou-se Frederico de ser um homem bem-parecido e empreendedor no espelho que o duplicava a vaidade. Feito isso, comeu e dançou Frederico, sendo quase certamente um grande homem,
se acertada é a premissa da mulher grande que há atrás dele como o provérbio o diz; rebolou deambulando escadas abaixo, cumprimentou a vizinha que lhe lançou olhar de apaixonada, e foi à sua vida, esbanjando inveja a quem se lhe opunha nos demais passeios que a vida se nos põe à frente. Quando ia a atravessar a estrada foi atropelado por um camião e morreu.
|Tema: Roling In The Deep, Adele|

Querida, mudei de cuecas (ou Loucura)

António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade tinha um quisto no cu.
Dizia António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade muitas vezes, lamentando-se, qu'isto de andar com um quisto é uma coisa cruel e que'isto de não conseguir andar com cucas entrelaçadas é um sufoco a quem sofre dos intestinos e tem um quisto e ainda qu'isto e qu'aquilo, cagava-se sempre todo, coitado.
Chegava-se a sua mulher e dizia a António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade que, ou António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade tratava do quisto, ou qu'arranjaria aqueloutro e pediria o divórcio a António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade, cansada das nódoas que António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade deixava na parte de trás das calças. E deambulava António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade nas ruas, queixando-se qu'agora as mulheres são muito difíceis e qu'arranjam problemas por tudo e por nada: QU'A GAITA!, exclamava. Mas, no fundo, no fundo do cu de António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade, António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade sabia que tinha um quisto e que, aliás, qu'aquilo parecia mais uma cabeça. Mas não se danava António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade com isso, pois sabia António Pacheco Pereira da Mula Russa Trindade que muitos têm senão menos de metade do cu
que ele tem mas, porventura, fazem muita mais merda na vida.
|Para FábricadeLetrasePalavras|