Divagações 16: Preto a beber vinho branco

|depois de ler isto|
e depois, há aqueles dias diferentes em que acordamos a pensar que os dias vão ser todos iguais. saímos da cama a correr, como ontem e, se tudo correr bem, amanhã, e depois de amanhã, e depois depois de amanhã, e depois depois depois de amanhã, e vestimo-nos a correr e lavamo-nos a correr, comemos a correr, calçamo-nos a correr, metemos um perfume barato a correr porque não temos tempo para pensar se cheiramos mal, metemos a mala ao ombro a correr e vamos a correr para o comboio porque ele nunca espera pelas pessoas que correm e está sempre a correr com elas em cada paragem em que insistentemente pára. No comboio. Toda a gente olha para toda a gente sem querer olhar para ninguém. Há gente que não olha para gente nenhuma mas olha para lá da janela, mas como ainda está escuro e pouco se vê dela, essa gente também olha para a gente, porque a gente está reflectida nessa janela. É um caralho é o que é. Algumas vezes são aquelas em que me coloco a pensar como há tanta dificuldade em pessoas em se darem com pessoas, e pessoas a ignorarem pessoas, e ignorantes a ignorarem que ignoram, porque no fundo e à superfície e à frente a atrás e acima e abaixo, esquerda e direita, somos todos iguais. Algumas vezes, também, penso em como as pessoas pensam em preocupações que não as deixam pensar e, assim pensando, penso que não se conseguem conhecer ou dar-se a conhecer ou conhecer que se conheçam. crio mundos imaginários imaginando se conhecesse aquela pessoa que não conheço que me não conhece. porque eu acho muito estranho existir tanto coração solitário quando somos tantas pessoas aqui nesta coisa a que se chama Terra. O comboio pára na minha estação e corre comigo. Nunca percebo porque deixo sempre as pessoas passarem à minha frente. Sou um gajo tão pacífico que me enervo insistentemente com isso. O que é um paradoxo perturbável. Enquanto me barram o caminho, medito em como sou o tipo mais idiota que conheço. E, como todos os idiotas, nunca me apercebo disso. Se o sentido da vida é para a frente, mas há sempre esquerdas e direitas, e pessoas que andam para trás, onde está a civilidade desta civilização que quer entrar e sair do comboio ao mesmo tempo quando tal é básica e visivelmente impossível de se concretizar? Já podia ter chegado ao meu local de destino se me tivesse destinado a prosseguir e não deixar as pessoas passarem à minha pala. Todos os dias me surpreendo com a minha estupidez. O que nem é imeritório, demonstra como sou um gajo cheio de capacidade. Na faculdade. As empregadas da limpeza nunca colocam sabonete no WC masculino, então, eu faço as minhas necessidades básicas, vou ao WC feminino buscar sabonete, volto ao WC masculino para me lavar, e elas lançam-me um olhar em como não gostam desta minha atitude. Coloco-me a pensar, então, porque raio não existem empregados de limpeza. Ou hospedeiros de bordo. Ou dançarinos de ballet. A guerra dos sexos é uma batalha muito longa, rebelem-se homens! Na aula. Pergunto à jovem bonita atrás de mim se já possui a antologia daquela cadeira. Ela diz que não com um sorriso e eu sorrio também. Da próxima convido-te para o almoço, agora estou ocupado a pensar nas despesas que terei de fazer enquanto passo notas sobre o povo Micénico e a civilização grega no meu caderno cor-de-rosa. Escrevo que nem um louco feito parvo. O meu caderno parece que teve um desastre de automóvel enquanto conduzia bêbado; a  minha caligrafia é disforme. Apetece-me uma bebida. Não posso pensar em beber se não fico com sede. Ou será que fiquei com sede e só depois é que pensei em beber? Não sei, a mente humana é difícil, mas eu preciso de algo líquido. A aula acaba. Vou ao bar e bebo uma bebida. A coisita passa por mim e eu saúdo-a, ela ri-se, eu rio-me. Não sei porque raio me rio sempre quando saúdo as pessoas. Não sei porque raio não passo de saudar as pessoas. Saúdo tanta pessoa e dou-me com tão pouca. Saúde!, vai um gole. Tenho de me despachar que vou ter aula a seguir. Casa. Entrar às oito da manhã e sair às oito da noite e chegar a casa às dez menos um quarto é uma sina que se desculpa com objectivos de vida ainda por engendrar. Há sempre qualquer coisa que surge que desculpe algum inconveniente na tomada destas decisões que nos sugam a  vida e nos criam vida também. Acredito que tirar uma licenciatura é mais um estilo de vida que uma licenciatura. Aquela instituição já é uma segunda casa segundo o meu sexto sentido. E enquanto penso nisso vou dormir. Tenho sempre dificuldade em dormir. Olho para o tecto escuro e consigo discernir as suas formas. Começo a pensar. Até quando será possível conhecer verdadeiramente uma pessoa? Revolto-me na cama de um lado para o outro contra um exército de responsabilidades futuras de um amanhã por florescer. Acendo a luz do candeeiro da mesinha de cabeceira. Abro o meu livro de rascunhos e pego numa caneta. 'e depois, há aqueles dias diferentes em que acordamos a pensar que os dias vão ser todos iguais.' Olho para o relógio e é já amanhã. Foda-se...

Anão a beber uma mini

Eis que, não por graça divina, mas por minha vontade, inauguro aqui o diario-do-otario. Um blog diário que ilustra diariamente o que se passa nos meus dias. O que traz este blog de novo ao mundo? Nada. Traz sentido à minha vida? Talvez. É interessante? Nem por isso. Portanto visita-o. E segue-o. E tal. Se isso me deixa contente? Acho que sim. Se é completamente necessário? De maneira alguma. Se aumenta o teu estímulo sexual? Com uma gaja nua à frente talvez. De modos que acho que vale a pena. 1 blog +/- que nem é bom nem mau, mas que aparenta ser algo de interessante. I-de, i-de... e opinai, meu caro blogueiro! Não sejais tímido...

Rabicha Boy

Errar é umano.
Se eu apresento muitos erros é porque sou muito humano. E o que é que é ser humano?
Pá, não sei, tenho esse erro da ignorância. O que é coisa de me fazer ser mais humano ainda.
Só que as pessoas com inveja começaram a denominar esses humanos como imbecis ou chanfrados
da cabeça. Eles podem ser um bocadinho retardados, isso é verdade, mas isso deve-se ao fuso horário:
eles têm a cabeça a mil à hora. Tu dizes, sei lá, Madrid, e eles já estão na China. As pessoas confundem isto com falta de cultura, mas olha que não é.
Eu sei muito bem, se me perguntarem, que Portugal é um país que se sítua no meio do estrangeiro.

O Alfaiate que Teve a Vida por um Fio

Porque é que somente uma das minhas pernas demonstrou cansaço se percorreram ambas o mesmo espaço? Um homem passou por mim no Metro e apalpou-me a mão. Que espécie de pessoa apalpa mãos? Há pessoas que batem a bota com ténis calçados, eu acho isso uma clara desconsideração pela vida. Só por castigo deviam falecer duas vezes. Pessoas com o rei na barriga... eu acho mal andar por aí a comer membros da monarquia, mas também há jovens que snifam cinzas d'avó ou noz moscada ou bocados de borracha. Acho mal uma pessoa passar a vida a meter papéis para viver, e quando a mãe pare a criança mete papéis também, mas na altura da morte ninguém mete papeis. Porque se eu tivesse de meter papeis prá morte esquecia-me deles em casa e vivia para sempre. Há sempre tempo para se perder tempo a pensar nestas coisas... Esta semana foi uma merda, deixou-me descontente e não encontro razão para tal. Sinto-me estranho. Por andas, Vanessa? Na espera de fazer sentido das esperas desta vida, perdem-se outras esperas de sentido de outras esperas desta vida. Apalpador de mãos do caralho. E se eu fosse germofóbico? Apetece-me não me apetecer. Não o conheci, mas sei, ia a passar a passadeira e foi atropelado por um autocarro. Se o respeito mata, se a consideração mata, se a protecção mata. Cada morte, cada traição, partir aqui, com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar! ♫ 

PUT A LIKE ON ME

Sinto que nunca aconteceu nada significativo na minha vida para me considerar um adulto. Também não me considero uma criança. Tenho consciência que o tempo passa por mim como passam as moscas pelo pão que os fregueses compram. Portanto, quando me começam a chamar de 'Senhor' não é muito do meu agrado. Próximo, o Senhor, Deixa passar o Senhor, O Senhor, que deseja? - ah e tal é um café sff. Eu não chamo as mulheres por 'senhora', nem os hermafroditas por... seja lá o que for, quer dizer, antes de senhor ou gajo ou imbecil, primeiramente considero-me uma pessoa. Porque raio não me atendem como pessoa ou como ser humano? É pedir muito, é? É PEDIR MUITO? Cala-te tu, eu grito com quem quiser... ***

O Sa la me lam be o sal mão

Ah, a morte, tão bom! É verdade, mudei de curso. Estive ali, lá, numa fila enorme para receber uma senha para ser atendido amanhã para me inscrever, com um cheiro nauseabundo a peixe frito. Alguém deve ter por lá passado com carapaus de manhã, aquilo era castigo a caloiros, só podia, a cantina não fica ali. Peixe frito ou frango, já não sei. O cheiro é semelhante. Principalmente se a pessoa estiver vendada e com uma mola no nariz. Foi tão aborrecido que uma grávida entraria em trabalho de parto com o nervosismo. E tudo boca-a-boca aos prematuros pra lhes meter oxigénio na tromba, porque chamar o INEM vir e não vir nunca mais é sábado. É que é desumano. Estar ali, em pé, 4 horas à espera. Só com meio prato de papas de aveia no estômago. Antes passar a tarde a ver Júlia Pinheiro, o que é coisa de me fazer sofrer de ataques epilépticos de meia em meia hora. É a vida.

Absinto

Neste momento há uma rapariga a ser violada à porta de casa por um sociopata abstémio que acredita que se colocarmos milho ao sol saem de lá pipocas. Acredito que neste mundo tão grande seja possível acontecerem todas as coisas possíveis e imaginárias num milésimo de segundo, morreu na linha de comboio, pariu um hermafrodita com três braços, deu o primeiro beijo, reparou que cheira muito mal dos pés e, enquanto aqueloutro mete uma garfada de lasanha na boca algures na Austrália está um canguru a ser violado por pastores vesgos. Oh, agora há por aí alguém a imaginar um pastor a violar cangurus. Eu diria para esse alguém se ir curar, mas há problemas maiores neste mundo, como as pessoas com 2,14m que aparecem muito. Ah, e a SIDA. A SIDA é um problema do caraças. ***

Divagações 15: mete tu um nome nisto, não me apetece pensar

CLICA-ME NO COISO
Eu, de facto, não sei quem sou. De todas as coisas que fiz, faço, farei, independentemente do valor que lhes conceder, não terão qualquer influência no Universo. Por vezes penso nisso, e sinto pena? Não, não sinto pena, eu ralado p'ró Universo, o tanas, quero é saber de mim. Eu amo-me, não sei se já tinha referido isso. E isso é bom, quer dizer, nas relações que tive comigo mesmo nunca me desiludi. Mas, quer dizer, se não me ralo com o Universo, que importância darei à minha vida? Uma busca pela felicidade? Sou feliz comigo, ora, conheço-me vai para vinte e um anos e nunca me cortei relações. O que é um facto invejável, para quem, como eu, acha as pessoas muito estranhas. Ou então eu é que sou estranho. Ou talvez sejas tu o estranho. Se calhar somos todos estranhos. Que a anne hathaway se torne uma boa actriz se isto não for verdade. Por vezes acho que ninguém me leva a sério. Talvez só eu me leve a sério. Eu e você que me lê, por alguma eventual razão. Por isso, o meu muito obrigado, pessoa eventualmente desconhecida.

Já tempesteia lá fora, as árvores tremem, os pássaros fogem, torna-se tudo escuro e feio, fica tudo cheio e distante. (...) Vou deixar, num cabide, do roupeiro, passado a ferro a direito, o colete de forças das memórias não esquecidas. Vou aquecer um balde de chá, e beber goles imprecisos de coragem. Vou resguardar-me do meu lado negro impreciso na chegada. Vou tapar-me com o manto da inutilidade, descansar na mentira e na verdade, na saúde e na doença. Vou dormir um sono lento ausente de impaciência. Porque o meu Lado Negro, ganha tons de cinzento à noite. São vozes da arca perdida, que vagueiam no horizonte.