09/06/10

“Estava vazio” - para Fábrica de letras

Toda a gente seguia o mesmo caminho, toda a gente seguia um caminho, mas eu preferi estar a ver, mas eu preferi estar sozinho. Para aprender, mas não somente, talvez não estivesse ainda disposto a magoar-me novamente, depois da sua fuga: deixara-me só e com sentimento de culpa. Pelo tempo que tempera todo este meu feitio temperamental, penso nela e porque ela me fugiu, todo o mais sentimento que cresce, em mim, ocupa-me como um vazio. E então, procuro encher meu copo da alma mais um bocado, e fio-me em coisas que não me interessam, só para reaver o sentimento de apego que tinha anteriormente. E, o facto, é que me ligo, porém, também me desligo, e já não sou o mesmo em mim, mas outro que vive para o oposto. Assim. E enquanto miro os olhares dos olhos dos que caminham, e tento seguir seu percurso, não sou mais que um caminhante, que busca sonhos sem uso; pertenço ao mesmo rebanho, sigo o mesmo pastor, e, no fim, sou-me tão estranho, e aperta-me tanto esta dor. E o copo desgasta-se, lasca-se, tão fraco se ao chão cair, partir-se-á em bocados, colar-se-á em remendos, e tudo o que, de resto, passar, serão só estes momentos: passividade violenta de uma vida perdida, e sou só mais um entre tantos, entretanto nem sou ninguém. Vivo perante os outros, segundo lhes mais convém.

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