querido diário,

ontem, ao despir as peúgas sujas e molhadas dos meus pés húmidos, deparei-me com a lembrança de uma questão do passado. quis apontá-la numa folha branca e, para o efeito, senti que seria uma boa ideia estrear uma esferográfica. Infelizmente, quando me deparei em frente à folha de papel vazia, lembrei-me que os meus pés também estavam vazios e momentaneamente senti bastante frio.

este intervalo de tempo disponibilizou-me uma imagem mental em que vislumbrei um cogumelo muito grande a insinuar que eu era um selvagem da pior espécie. tal imagem, não solicitada, criou-me bastante perplexidade. 

quando voltei a olhar para a folha de papel, já me era impossível não tentar relacionar a imagem dos meus pés despidos e gelados com um cogumelo gigante. e, por mais vontade que tivesse em apontar a questão anterior, já não a recordava.

este episódio deixou-me bastante frustrado e com uma ligeira comichão no escroto. tentei não me focar na comichão, mas também me aborrecia a ideia de me focar no cogumelo. por isso, decidi andar de bicicleta.

vesti os meus calções de desporto, uma t-shirt qualquer e senti vontade de calçar um par de ténis que já não usava há bastante tempo. pensei em como seria refrescante beber um smoothie de frutos vermelhos com banana antes de me fazer à estrada. face ao exposto, cortei vigorosamente as frutas que tinha à disposição, coloquei-as no processador e ele fez vrum-vrum. após ingerir o sulco delicioso, dirigi-me energicamente à porta de saída de minha habitação e dei por mim a pensar que não tinha bicicleta.   

ora, após me ter esquecido da tal questão, este episódio traumático de me aperceber que não tinha nenhuma bicicleta comigo deixou-me ainda mais aborrecido. foi um dia muito complicado para mim, inclusive porque só posteriormente me dei conta que os calções que tinha vestidos me causavam um certo ardor na micose. e, para além do mais, o smoothie não me caiu bem: já vomitei duas vezes, fiz diarreia três e fiz ambas em simultâneo quatro vezes.

neste momento encontro-me acamado e culpo os cogumelos pela continuidade ridícula de situações ocorridas durante este dia - já não os quero ver inteiros, cortados em quartos ou recheados com queijo e fiambre, pudesse eu criar um quarto reich e sufocaria todos os cogumelos em espaços fechados para o efeito até ficarem tostatinhos e com um cheirinho bom. por falar nisso, fiquei com um certo apetite...

...vou ali comer qualquer coisa e já venho.

Eugénio de Desagrade

OLÁ, EU SOU UM DETERMINADO TIPO DE INDIVÍDUO QUE OCASIONALMENTE PERMANECE NUM CERTO E DETERMINADO ESPAÇO (ESPAÇO ESSE QUE ESTÁ DENTRO DE UMA LINHA TEMPORAL). DE QUANDO EM VEZ, COMO HOJE, DOU UNS PEIDOS DAQUELES MESMO MAL CHEIROSOS, ACABADINHOS DE SAIR DO FORNO, E TENTO QUE O ODOR NÃO SE ESPALHE MUITO PELA CASA. POR VEZES, A ACTIVIDADE DE DEFECAÇÃO NÃO É FÁCIL DE EXERCER E GOSTARIA DE TOCAR NESSE ASSUNTO HOJE, INCLUSIVE PORQUE JÁ ME DIRIGI À CASINHA DE BANHO POR QUATRO VEZES. A ARTE DE BOA DEFECAÇÃO CONSISTE NUMA SOMA MATEMÁTICA QUE É A SEGUINTE: CONTROLO MENTAL + PRESSÃO DOS GLÚTEOS + FÉ + (POR VEZES) MAIS FÉ AINDA. SIM, PORQUE EU SEI QUE É DIFÍCIL, HÁ MOMENTOS EM QUE NOS ENCONTRAMOS SENTADOS, ESPERANDO QUE A BOMBA CAIA E ELA NÃO CAI E NÓS SÓ QUEREMOS OUVIR ALGO A TOMBAR NA AGUINHA DA SANITINHA PARA NOS SENTIRMOS MAIS BEM DISPOSTINHOS. NO FUNDO DO MEU SEU SER, EU SEI QUE TE PERDI, CAGALHÃO, TUDO PORQUE JÁ NÃO SOU O INSTESTINO ADORMECIDO NO INTERIOR DO MEU CORPO, TUDO PORQUE IGNORAS QUE HÁ LEITOS ONDE O FRIO NÃO SE DEMORA E NOITES TEMPESTIVAS DE URINAS MATINAIS: POR ISSO, ÁS VEZES, OS PEIDOS QUE EU SOLTO SÃO PESADOS, CAGALHÃO, E A NOSSA SINA É INFELIZ.

Divagações 18: a descompustura

Mão morta, mão morta, vai abrir aquela janela, deixa-a completamente descomposta, e não reflitas nessa atitude positiva - permanece a apodrecer como os gatos nas estradas após o atropelamento na rodovia, na sua completa e eloquente descaracterização -; com este bafo infindável a suor meu, teu, dele, nosso, sentimos estar envolvidos em camadas de cobertores polares como se fossemos cebolas (e cheiramos mal como elas ou pior) e por cada camada que soltemos - cada peça de roupa que possamos despir até ao ponto de mostrarmos a piroca - nada alivia esta atenta tensão sobreposta no nosso corpo: foda-se, é que ainda ontem se sentia uma brisa pela noite, suave, mas mesmo assim, senti-a de cima a baixo, dos cabelos na careca aos pêlos por depilar no rabiosque... e hoje não consigo fazer nada, cada passo que dou faz-me sentir que passei ao lado da direção que pretendia tomar.
Não é fácil, tanto calor, imagino então em Lisboa ou em sítios mais quentes - tipo saunas ou até esquentadores ou fogueiras, diria até esquentadores afogueados em saunas -, mas neste buraco onde o alcatrão parece congelar a nossa alma quando saímos descalços na rua, até parece mentira, de momento, termos a fachada da igreja principal a arder. Tomara que termine de arder antes de bater as nove da noite, para que possibilite a possibilidade de ser possivel eu adormecer com uma temperatura razoavelmente moderada para que a minha disposição esteja de acordo com a disposição que pretendo que a minha disposição esteja disposta a estar. Daqui a nada sairei de casa, amanhã ficarei por casa - não exercerei trabalho no meu local de cargo profissional - e terei exaustivamente de me dedicar a tragédias gregas. Isto porque, infelizmente, algures em inícios de setembro, farei um exame de conclusão de modo a concluir uma etapa já há muito antecipada que é a de concluir os meus estudos; após o ter feito deverei incendiar tudo o que estiver relacionado com esta última cadeira, uma vez que não guardo nenhum desejo de me dedicar futuramente a estudos aproximados à mesma ou mesmo que distantes mas com uma aproximação vulgar ou banal. Dito isto, não tenho rigorosamente mais nada a dizer, adiantar, quiçá desenvolver ou acrescentar. Quando os dias são assim, tenho a sensação de que ainda nem começou e já vai tão adiantada que quase termina sem eu dar conta, leva a crer que adoeci ou que já me encontro numa idade tão avançada que é uma idade cágado - tipo, como no texto da lebre e o cagádo ou a lebre e a tartaruga (já não me recordo bem; é um sinal de demência mental devido à idade, também), mas enfim, quase parece que eu sou uma lebre e corro muito depressa mas, por fim, fui ultrapassado pela idade cágado que chegou primeiro à meta. No fundo é isto, a sinopse da vida: era uma vez um indivíduo que foi ultrapassado pela sua idade cágado e, após se ter apercebido de tal acontecimento, já a idade cágado tinha cagado para o assunto de tão adiantada que estava, já estava noutra, a comer camarões dançantes em água imunda, fétida, como se se tivesse elaborado um concentrado de carne putrefacta - daquela que é guardada numa salinha com uma indicação "carne imprópria para consumo humano". Será que, considerando-me desumano e consumindo carne tabelada imprópria para consumo humano, sou exatamente quem devo ser e estou exatamente onde devo estar, por outras palavras, terei eu os chakras alinhados? Será este o sentido da vida e eu, pobre de mim, que tenho consumido do pior e mais barato! (mas, mesmo assim, bem bom!), pobre de mim que nada tenho mas para que serve tanto dinheiro? Não tenho nada, mas tenho tenho tudo...olha!!, ainda consigo avistar, desta varanda, a minha idade cágado, ali, quase não parece ela mas é - nota-se pela ponta da cauda de belzebu -, relampejante, vai como se tivesse fogo no rabo ou talvez tenha deixado o forno ligado, quem sabe? Nota-se que é ela, pelas pegadas que deixa no tempo. E, entretanto, a igreja já tombou, o padre já sucumbiu e a freira teve sorte porque estava de folga - sim, talvez as freiras também folguem de pregar a palavra do senhor. Após tudo isto, já não é possível encontrar a idade cágado - provavelmente já foi chatear outra lebre ou raio que a parta -, contudo, está mais fresquinho. 
Vá lá...ao menos algo positivo.

vives dia a dia, mas queres ainda mais


certamente, mamas. 
efectivamente, mamas. 
realmente, mamas. 
possivelmente, provavelmente e positivamente, mamas. 

aparentemente, mamas. 
supostamente, mamas. 
provavelmente, mamas. 

casualmente, perfeitamente e apressadamente, mamas. 

dificilmente, mamas. 
teimosamente, mamas. 
seguramente, mamas. 
efectivamentemamas. 
incontestavelmente, mamas. 
circunstacialmente, mamas. 
instrumentalmente, mamas.
lindamamente, mamas. 
palidamente, mamas. 
limpidamente, mamas. 
velozmente, mamas. 
louvavelmente, mamas. 
sensitivamente, mamas.
intensivamente, mamas. 
massivamentemamas. 
vagarosamente, mamas. 
malissimamente, mamas. 

indubitavelmente, mamas. 

ca'chaos!

Lar, dOcE LaR,
à hora do jantar.

Repouso, dOcE RePoUsO,
à hora do almoço.

Com as cuecas por lavar e os peidos estendidos pelo átrio, espalhados pelos corredores - esquerda, direita, esquerda, direita, à nossa esquerda temos um bom par de cotão -; e, acima de tudo (literalmente, por cima de tudo), uma montanha de roupa por dobrar e arrumar e que permanece após várias outras lavagens (tanto de roupa como de espírito e de corpo) e outras digestões e defecações.

E a loiça, por lavar, secar, limpar, arrumar, insiste em desdobrar-se pela cozinha, espreguiçando-se, ficando prenha e dando à luz tigelas embebidas em líquido Fairy, absorvidas de securas ranhosas que quase parecem macacos do nariz, panelas com restos alimentícios do passado.

É um ca'chaos cagalhoso, todo piloso e com uma vista para a serra. 
Aquela nuvem parece uma cueca cagada,
ai!, se eu pudesse absorvê-la em tira nódoas!

AtUaLiZaÇãO

Se tudo o que penso, se tudo o que faço, se tudo o que quero fazer
fosse um ser de carne e osso como eu,
capaz de tomar decisões e fraquejar
e de libertar todos os puns que eu, ontem na cama, libertei;

Se tudo isso fosse passível de deliberação,
com seu próprio ritmo de armazenamento de ideias,
introspectivas, interpretativas, inquietantes;

Se o sol, ao nascer, produzisse nesses mecanismos de dança,
uma invariável capacidade de mistério e dúvida reticente,
se os ossos se misturassem com os músculos, o sangue e,
quiçá, se ocorresse uma queda, jorrasse 
sangue, cuspo, lágrima e suor;

Se tudo isso tivesse o seu próprio ritmo de sobrevivência e decisão,
seria eu capaz de me auto promover a decisor de consequências?

ou ser-me-ia imposto o selo de mero observador?
Se.

Puta que Pariu

(ou como fazer uma salada de agriões com esperma anão)

Quem me dera ser um carrapato
e chupar os teus ouvidinhos.
Era uma vez uma dificuldade que chegou à cozinha e pretendeu meter-se entre dois homens
que cheiravam a naftalina. Quando um deles se peidou, o outro peidou também.

 O último a tocar foi um jogador do Boavista cuja bola relançou no seu pé.
O Boavista 
O BOAVISTA
o último a relançar foi o 
boa
de vista

és boa de vista.
mas, quando rodas a tua anca e permaneces de perfil, o grau de beleza
de que usufruis diminui 75%. E ninguém bate pívias em 15% de beleza.

ROFL
reunião ordinária de felicidades legítimas.

Carta aberta ao pirilimpimpim

Carta aberta ao desconhecido

hoooo, que lindo! um título todo catita em tons rosa, dá-me vontade de pirilimpampar isto tudo!

Ora, muito bom dia. b'tarde. noite.
Soube de fonte próxima, de uma fonte que não molha nem demolha o bacalhau, que espécimes da raça humana ainda coscuvilham o meu blog. Vós gostais de coscuvilhar. Ora ficai sabendo que eu, queridíssimo autor, que não ponho cá as mãos nem os pés nem a pilinha que por vezes parece saltar naqueles momentos em que a urina é uma constante da vida tão concreta e definida e salta cá para fora como se fosse água proveniente de uma mangueira com alta pressão e desgovernada...

...perdi-me. Há que ter em atenção que eu não estou com atenção. O que queria ter referido acima é o seguinte: ora reparem que eu, autor idolatrado por minha mãe que me pariu há 25 anos numa salinha de um hospital que já não existe, tive extrema dificuldade em aceder à minha conta. Ora, caramba, já não me recordava dos dados de login e dos dedados de logout. Dos dedinhos de linguiça e das dentadas de lo..ler..lagosta. Lagosta. Sim, decorem esta palavra: Lagosta. Lagostim de Lagosta. Lagosta de Lagostim. Por vezes gostaria de ser uma circunferência para dar a volta ao desconhecido.

Nesta noite branca sou um boneco de neve.

Vocês, da arte patrimonial, não deviam andar na droga? No meu tempo andavam todos na droga. Era a droga da vida. Mas não, vocês perdem o tempo a perder tempo em fazer tempo para desgustar daqui. Ora, eu ficaria corado se corasse. Mas de qualquer modo fico grato pela presença de pessoas que estão presentes aqui e agora ou noutro sítio qualquer. E tenho uma questão: as pessoas com estudos em restauro gostam de puzzles? As pessoas com estudos no restauro conservam a sua vida por mais tempo e falecem idosas com furúnculos no traseiro? 

...
noite.

Agradeço a vossa leitura. 
Quase que foi um prazer.

O refúgio dos pelicanos.

Belisca-me a borbulha que carrego perto de meu ventre,
ali mais ou menos onde termina o meu peito e começa a minha pança.

Esventra-a até salpicar pus e, posteriormente, sangue e, posteriormente, nada:
somente continua para me provocares uma dor aguda das mais graves.

E, depois, quando todos os convidados tiverem ido embora e não houver mais 
ninguém na fila para a espremer, cospe-me para cima após o almoço.

Vomita-me para baixo depois do jantar.

Só aí, e não antes, saberei como é possível suportar o amor.

sim, fui eu que escrevi agora, obrigado

tenho em meu poder os pensamentos vãos,
memórias de olhares despidos, de dadas mãos,
moldam continuamente meu corpo e mente,
despertam-me para as eloquências vivas.
assim, patenteado pelo passado,
respiro por segundo com vagar
as coisas antigas que enalteço,
penso não merecer o castigo.

Mas em pernas erguidas resumo
o muito que blasfemo em solidão,
que poucos são aqueles que têm
um aperto daquelas mãos.

Proeminente rêgo

Olá,
sabes o que te traz aqui? 
qual o esforço da mulher que te deu à luz naquele quarto escuro?
conheces, filho, conheces a realidade?
quantos espermatozóides morreram para te tornares ser humano?
o teu nascimento tornou-te assassino. és um sociopata. nunca poderás assumir-te vegetariano porque és um sócioPata.

A tua mãe é cúmplice por te deixar nascer e deveria ser julgada e condenada 
ao lado de ex-drogados e pedófilos de adolescentes. Os pedófilos de adolescentes 
são aqueles mais maduros, que não se contentam com crianças. 
Os pedófilos de adolescentes não têm criança interior. Têm adolescente interior. 
Um pedófilo com complexo de inferioridade pode vir a abusar de anões se tiver problemas de visão.

E tu não conheces isto,
não sabes o que é viver na rua ao relento e morrer de fome quando se tem sede. toda a tua existência resume-se a um universo de ignorância, de ingenuidade, de cuidados paliativos. Vais viver mais um natal rodeado da família e de perus recheados com amêndoas e não te darás conta que és um assassino à nascença e de que estás a comer animais mortos. que nojo!

Vais entrar em 2016 fazendo a contagem decrescente anual como se fosses um expert em matemática. Quando, afinal de contas, toda a tua vida é triste e sentes-te sozinho. nem tens a mínima decência em cortar os pulsos na posição vertical. és um colosso verme, rapaz! A tua mãe não te disse? O teu pai não te contou? A tua avó não te informou que és um verme ranhoso, cuspindo-te saliva para a cara como fazem os velhos? 
Ninguém, te alertou para essa realidade?

Pois bem, querido, 
vais entrar num novo ano com esperanças e desejos não realizáveis e a tua bunda está cada vez mais gorda. Não te apercebes que à tua volta o mundo já te esqueceu e já não guardas aquele perfume da jovialidade que agradava as raparigas. Provavelmente só após abril te aperceberás que 2016 irá ser a mesma merda que todos os anos anteriores.

Mas Jingle Bells Jingle Bells e todoo catita a morfar pinhões.
És o rei do desperdício, estás no interior de um poço invertido de 27 metros onde todos te cagam para cima. Cagam-te relógios de pulso, ferrero rocher, alguns até te cagam a primeira prestação do pagamento da carta de condução! E ficas com a sensação de que o natal é giro quando, na verdade, estás a tornar-te mais saloio e pateta.

Que os proeminentes rêgos desfrutem de uma ótima época natalícia!!!!!!!