03/02/11

Divagações 5: Injecta-me com tua líbido mórbida



Se terminarei a vida sendo um velho idiota solitário e rezingão com um monte de gatos que cagam a casa toda e arranham os sofás? Sim, possivelmente será esse o meu retrato. A verdade, é que o meu pai já me relembrou que vou fazer 20 anos e, como que não bastasse, uma amiga distante enviou SMS um mês adiantado desejando-me os parabéns. Fruto de tudo isso, eis que me encontro bastante deprimido, não desanimado, mas deprimido, ora, pois então, debatendo na minha mente os meus planos para o futuro, o que fazer da minha vida, o meu possível esboço de um projecto assente com os pés na Terra. Eis que tomei uma decisão, a mesma cobarde de sempre, de quem nunca criou expectativas na vida e nem tomou partido autónomo de coisa alguma, e que é, lá está, deixar andar, não meter a carroça à frente dos bois, o que virá virá, o destino a deus pertence, em suma, ser o cão raivoso que ladra ao passar da caravana. Porém, porventura, e por outro lado, certo é que, em Janeiro, efectuei três acções há bastante tempo pensadas e repensadas, que finalmente surgiram efeito e que são as que se encontram efectivamente a seguir aos próximos dois pontos colocados propositadamente para o fim em causa: fazer pipocas no microondas, participar no programa Curto Circuito da Sic Radical, comprar uma guitarra. De resto, continua tudo na mesma merda de sempre, a minha vida é uma desgraça, mas há que ver as coisas pelo lado positivo, e decerto se concordará que, este ano, começo a mostrar um pequeno espírito de iniciativa, outrora nulo, existente na enumeração acima mencionada, e, quer isto tudo dizer que, na pequeníssima lista de 'coisas que quero fazer porque gostaria imenso de ver serem feitas' já se encontra dado um pequeno passo. Um pequeno passo para a sociedade, um grande passo para mim.

Se terminarei a vida sendo um velho idiota solitário e rezingão com um monte de gatos que cagam a casa toda e arranham os sofás? Sim, possivelmente será esse o meu retrato. Mas serei um velho idiota solitário com um monte de gatos que cagam a casa toda e arranham os sofás, que sabe fazer pipocas no microondas e tocar guitarra.
|Gnarls Barkley - Who Cares|