14/07/11

Psico patas parem psico pintos

Hoje caí em mim - e vá lá que foi só em mim, fosse cair em cima dos outros e eram mais pessoas que se aleijavam - e apercebi-me que ando aqui a brincar com isto. Espero, convictamente, viver para além dos 40. Caso contrário, terei efectivamente de afirmar que desperdicei metade da minha vida. Irei fazer para dar o meu máximo, daqui para a frente, para, no próximo período igual ao que já vivi até agora, não ter estes bichos na cabeça. Se viver até aos cinquenta, daqui para a frente e bem, poderei dizer que tenho mais de metade da vida bem vivida e morrerei com um saldo positivo e, quiça, umas rosas por cima da minha campa. E quem diz Rosas, diz, sei lá, Yolandas, Patricias, Joanas. Não me importo que morram por mim. Seja como for, isto sou eu a falar agora. Se, sei lá, amanhã tropeçar no chão todo cagado da cozinha que ninguém se aventura a limpar, e bater num dos cantos da mesa de jantar, as minhas ideias bem se poderão baralhar como as omeletes da minha mãe que têm sal de um lado e são insonsas do outro. Quer isto dizer que, lá está, não se sabe o dia de amanhã e, que, também, poderei sofrer uma hemorragia, porque, pois, sou humano e há humanos que sofrem disso. Sendo como seja, for como será, a verdade é que não sou uma pessoa lá muita convicta. Posso acordar daqui a vinte anos e exclamar 'Bolas, os meus primeiros vinte anos foram os melhores, devia ter aproveitado', e entrar em contradição comigo mesmo. E se eu entro em contradição comigo mesmo, e não apresento razões para confiar em mim, hei-de confiar em quem? Em Jesus? Na Madre Teresa de Calcutá? No coelhinho da Páscoa? A verdade é há dois tipos de pessoas: aquelas e as outras. Aquelas são assim, as outras são de outro modo. Se as separarmos elas não ficam juntas. Portanto, o melhor é aproveitar a vida ao máximo. Mesmo que sejamos imbecis e não saibamos como fazê-lo. Por um lado é bom, por outro lado é mau. Por via das dúvidas fiquemos no mais ou menos. *