O Peidinho Lúcido

Acordo como o orvalho tenso na erva mansa pela manhã. E o meu nascimento é como as estações do ano, mas não anual como elas, diurno. E quando coloco o meu primeiro passo no chão, não sei se serei primavera ou outono, melancólico ou incerto, inverno ou verão, racional ou frontal. E como se esse passo me previsse e anunciasse o meu nascimento ao mundo, só me apetece dormir; e cobrir-me de um manto de incerteza que me aquece ignorante. E assim, tenso, subsisto. 
Como se algo morresse em mim todos os dias. 
E eu não soubesse chorar.

Comentários

Ritinha disse…
Gosto da caracterização das estações do ano. Sempre gostei do Inverno. Eu acho que sou quase sempre Inverno.
faa aa disse…
À dias que eu nem sei quem sou e o que quero fazer, pena que nunca posso voltar a deitar-me e dormir.

Ho, que lindos textos, que poético, que lindo!