27/11/12

O cadáver do avô

A hipótese de a criança ser ligeiramente abichanada abanou a estrutura daquela casa. O próprio ferrúnculo exposto da imundície de pilosidade da criada passou para 2º plano. Foi o dilúvio das águas, uma criança, rebento do ventre da mãe, esculpida com o esperma do pai, benzita pelo padre da igreja e açoitada pela tia demente amante de rabos novos. A hipótese dessa criança, moderadamente comestível, possuir o bicho dentro de si, realçou a ligeira preocupação de existência de crianças que possuem o bicho dentro delas. Tornou-se um caso delicado, mais difícil de abordar que prostitutas no Bairro Alto. E, enquanto o pai procurava uma solução, a criança brincava com barbies. Dizia adjectivos, elogiava roupas. A criança tinha opiniões. E a criança gostava de rir. E a mãe chorava. E o pai chorava. A avó velha chorava. E a criada chorava também. E a criança arranjou o 1º namorado. E a família afogou-se no seu pranto. E o rapaz arranjou um barco. E o rapaz... o rapaz foi pescar consolo.