10/03/11

És muuuuuuuuuuito corno, diz a vaca ao boi

João Alberto, esperto, foi à mercearia comprar maças e de lá saiu só com tormentos. O coração de um homem peca por defeito, mas não há garantia nem talão a reclamar no balcão os desgostos de amor. 

Já desconfiava Alberto haver gato ali na mercearia, mas como a fruta não aparentava ser comida por felino algum, julgou ser o bichano de pior espécie. E então, quando apanhou o padeiro no meio da fruta, logo lhe afigurou salada ao pensamento. O padeiro no meio da fruta, pensou, cá para mim ele amassa é a minha mulher. De facto, descobrir um padeiro numa mercearia com tamanha regularidade é facto para logo cheirar a açorda para João Alberto. Quanto mais, quando a maçã mais reluzente é a senhora mulher de João Alberto, que atende os fregueses noite e dia sem cessar. A amassar a minha mulher, deambulava João Alberto, ele que espere uns belos de uns papos secos com duas pêras na fronha ai não.
Passava noite e passava dia, e não descansava Alberto. Esperto, preparou as trincheiras e partiu para a guerra de vigiar a sua mulher, alarmado de a senhora estar comendo mais banana do que supostamente devia. Não que tal fizesse mal ao estômago da pobre coitada, mas que mexia nas entranhas de Alberto era por demais evidente. Até que chegou o dia em que Alberto, esperto, foi comprar pão, com a finalidade de se colar ao padeiro, tal queijo se cola à côdea e o complementa. Fez-se um irmão para o padeiro, desconhecendo ser aquele o marido da senhora, e ouvia a senhora boas-novas do estreante amigo do padeiro, desconhecendo ser esse o seu marido. Agora é que vou entornar o caldo, magicava Alberto. E se a coisa se pensar bem, ensopar bocados de pão em sopa encharcada, menos bom será se ela conter veneno. E João Alberto, esperto, ouvia as melhores da namorada do senhor do pão, sem esse demais suspeitar que se estaria expondo ao seu arqui-rival. 
Após copos de exposição em bares de almas condenadas, João Alberto, esperto, bem que teria vontade em cortar sua mulher às fatias. Mas melhor pensou ser esse um negócio que ao homem do pão compete, e somente acalmou o corpo e chegou à sua esposa e disse assim: Mulher! Posso ser boi mas não sou estúpido, pois descobri que o teu negócio é outro e que eu não sou o único a comer o pão desta casa. E em acto tresloucado lhe colocou a hipótese, ou eu ou o senhor das belinhas. A senhora escolheu o padeiro. Passado um mês, o padeiro teve um ataque cardíaco e morreu. A senhora quis voltar para o marido mas este não a deixou. É o que dá em não conhecer o historial médico dos amantes.