18/01/12

E o leproso estava caidinho por ela...

Acabado de ler o caderno6 de Gonçalo M. Tavares, intitulado O Senhor Henri, em 45 minutos e em alta voz para as paredes brancas desta casa, notei a minha particularidade em entoar os 's' e os 'ch', relendo palavras como 'absinto', 'essenciais' e 'despensa' ao longa desta obra. De facto, quando profiro palavras com essas consoantes, tenho alguma dificuldade em me fazer ouvir, e a verdade é que, por vezes, pareço mais um estrangeiro que um português ao dizer palavras como 'necessidade' o que, por um lado, se torna necessariamente prejudicial a quem se quer fazer ouvir, mas, por outro, talvez tenda a elevar a minha capacidade cultural na medida em que me torna um embuste de um estrangeiro com talento em estabelecer conversações na língua portuguesa. Neste caso, e em casos idênticos, há que procurar as vantagens de uma desvantagem que nos assole... relembro, agora, um caso em que estive diante de uma jovem universitária de 18 anos que tinha tomado umas coisas estranhas, falando desta minha capacidade linguística, e de eu ter dito 'salsicha' e a jovem começar um riso louco e desmedido, que ateou a chama para conversas mais sérias. Fiquei particularmente estupefacto como basta somente um charro e a entoação de uma palavra que assinala um enchido de pequeno diâmetro, geralmente preparado com carne de porco, temperada com sal e outros condimentos, envolvida em tripa ou invólucro sintético, para animar tanto uma pessoa. Sim. Disseram-me também, recentemente, que não entendem porque motivo retirei os comentários deste tão estimado estabelecimento bloguístico. Bem... às duas pessoas que directamente me abordaram com esse facto notório, eu respondo: retirei os comentários do blog, primeiro porque posso, segundo porque quis, e terceiro porque me foi feita a vontade por mim mesmo. Contudo, reflectindo e divagando e após um breve período de reflexão e divagação enquanto reflectia e divagava, e para fazer a vontade a essas duas famílias que tanto mostraram preocupação relativamente à qualidade de debate de ideias muitas vezes expressa a partir das caixas de comentários por visitantes modestos e coscuvilheiros, esta publicação ficará assente com essa particularidade de análise, podendo comentar quem lhe estiver imposta a vontade, seja feita a sua vontade, tanto na terra como no céu, amén nosso senhor Jesus Cristo, Glória a deus nas alturas, avé Maria cheia de Graça. Porque, se dizem que eu não passo cartão a quem me dá recomendações, é mentira... estão, de certo modo, a meter palavras na minha boca. ***** («««CLICA ALI!)