14/06/14

Desabitar-te de hábitos.

Querida,
redemoinho-me no interior do teu ventre, irás parir um amor por mim, disso tenho a certeza. E vai ser uma metamorfose do caralho (perdoa-me a linguagem)!! - dupla pontuação exclamativa para enfatizar. - Serás  o Gregor Samsa rejeitado dos amantes, irei eclodir em ti ausências depressoras, cagarás cartas de amor que em minha caixa do correio se esbanjarão de inúmeros folhetos informativos sobre merdas. 
Sim, eu nunca esvazio a minha caixa de correio.

A rejeição será a minha prenda para ti nesta vida.
Querida, não vale a pena sequer dedicares-me sonhos ou risonhos banquetes de satisfações a dois, a cova está aberta para depositar as palavras que me ofereces. Tudo o mais são sonetos, nunca serão 'só netos', porque nunca teremos filhos. E, deste modo, e não tendo mais nada a adiantar, quero que nem mereças a terra, quero que nem mereças o abrir da porta ou o nascer do sol. Vi-te nos Santos, de costas, ou pelo menos me pareceste tu. Só peço que deus, ou um alienígena de nome distância, sopre contra ti.

Foge, foge, enormíssima humana demente!
Ide alimentar histórias noutras paragens 
onde os meus pés não mergulhem.