30/06/14

and now for something completely different.

Sentia-se tão em baixo 
que acabou por lhe fazer um boquete.
Os problemas de linguagem por vezes são constrangedores,
e o rapaz nem se apercebeu que a estava a violar, tão ingênuo.

Na estação, um comboio parara e o guincho agudo fez-se ouvir por todo o vilarejo.
Como se nada fosse, como se nada importasse naquela noite estrelada, mas em parte sombria.
Passou um cão e fez-se ouvir,
ão ão.
E os latidos, em banda sonora de profunda intensidade bocal 
feminina, marcaram, para sempre, a lembrança da pobre menina.
A noite, por maior que fosse, não iria ajudá-la.

Sentiria, ele, remorsos, um dia mais tarde?
Eram questões que perduravam no tempo.
Não havia alento para a menina, não. Tanto que ao fim de 2 anos se suicidou.
E deus, por maior que fosse, não iria salvá-la.

Resultante em cadáver, os agora vestígios de carne putrefacta eram comidos por lagartos e bichos feios que, ao vê-los em vida, a fariam exclamar argh c'a nojo!. Não é ódio nem vingança, os bichos somente a comem porque se encontram famintos. É o ciclo da vida e a ordem natural das coisas. 
Mas e ele, que era feito do desviado membro do sexo masculino?
Terá ele partido para Banshee e, na qualidade de xerife, fodido todas as loiras da cidade?
Ou terá ele sofrido pela morte das futuras namoradas em acções irremediáveis de Walter White?
Mas a vida não é uma série de televisão. 
E infelizmente nem todos os culpados sofrem a devida pena.
Tomara que ele tivesse uma melga a chateá-lo todas as noites até ao fim dos seus dias.
E que cada cão que o visse, lhe ferrasse uma dentada na perna.

|em colaboração com Lita|