21/07/14

engarrafar sensações.

tomado o remédio da liberdade concedida, as ações decorrem em dilúvio de vontades. 
quem somos nós quando queremos ser outra coisa?

hoje sinto-me bem, quis apanhar a brisa da manhã e voar com ela e,
 então, fugi do meu lado depressivo, corri o mais que pude com o 
intuito de me afastar do negativismo, e tomei uma pequena dose de 
alegria. em estímulo directo, condicionei-me a espasmos e saltos 
quase orgásmicos de excitação convulsa - da próxima vez, não me 
esquecerei, lerei atentamente as contra-indicações. mas agora não 
me interessa, já me perdi no meu mundo de fantasia em que sou 
uma abóbora de dia das bruxas e tenho em mim mais que um 
sorriso diabólico, tenho em mim a necessidade obscura de ser uma 
abóbora com intuitos diabólicos em se tornar um humano diabólico 
colecionador de abóboras com sorrisos diabólicos.


a prateleira velha, descascada em lascas disformes, não é uma 
laranja. e a minha vontade hoje não se pactua com a alucinação, ou
teria eu escolhido pegar noutra garrafa. serão as contra-indicações 
indicadas a pessoas contraditórias? esta alegria em estado de júbilo 
constantemente crescente concede-me as demais ilusórias 
perspectivas, já cresci à altura dos meus sonhos. a relação com
o meu sono já foi mantida há muitos relógios atrás, aglomerar 
segundos novos é o melhor modo de romper um relacionamento!
adeus sono, adeus clausura nocturna de colchão/rede de mantas que
me apanham navegando na realidade, adeus ponteiros/carrosséis de 
compromissos que me comprimem! sou uma cebola em camadas de espontaneidade!


tomado o remédio da liberdade concedida, as ações decorrem em dilúvio de vontades. 
quem somos nós quando queremos ser outra coisa?

quero água, água, água, ai a sede de rodar em furacões! não há 
outro modo de domesticar as pressões citadinas que me consomem 
senão assim: inconsciencializar as energias. não há outro modo de
 fugir às tenazes das rotinas senão este: impossibilitar o pensamento.
 largo-me em lagarta no casulo e evoluo em borboletar-me euforicamente 
pelas ruas, pelas pontes, pela calçada descalçada de passeio. pés
 com calos que não calam a calçada e feridas em metamorfoses!
os meus saltos, na verdade, são silêncios. o meu sorriso, na verdade,
 causa-me vertigens. sou muito pequenino para as minhas loucuras
 grandes. mas dou-lhes a mão, e deixo-as levarem-me ao escorrega
 das ruínas, onde elaboro lembranças que cuidam de mim como
 pensos rápidos. são o meu Betadine para os sentimentos não correspondidos. 
deixando-me estar assim, inesperado, transpirado, maltratado. 
quem somos nós quando queremos ser outra coisa...

somos aquilo que acontece.